Eco

             Fazia tempo que não me sentia tão quieto. Às vezes soava até como um silêncio ensurdecedor. Olhava todas aquelas pessoas falando e articulando, como se fossem animais sem presença alguma de sentidos racionais ou futuros geradores de problemas.

             – Quanto tempo pretende ficar aqui? – alguém me perguntou assim que cheguei.

Se soubesse a resposta não estaria em um lugar como esses. As pessoas continuavam a andar pra lá e pra cá. Sons e mais sons. A flor que se despetalava, o carro que ia embora sem chance de retorno, aqueles malditos vidrinhos chacoalhando, marcando quase a hora certa de me tirarem a memória novamente.

           – Você pode vir com a gente. – Você quer mais um pouco? – É só distração!

          Não cansam de tentar resumir todas as emoções em palavras sutis e embaraçosas? Eu prefiro continuar aqui sozinho. No meu canto preferido, que adotei como sendo meu novo espaço de meditação. Como conseguir ficar tanto tempo sem idéia de solidão em um? Em um sim, porque ficar em solidão a dois é muito fácil. Eu e eu mesmo. Eu e minhas barulhentas idéias. Pelo menos aqui elas estão sendo domadas. Só até o próximo chacoalho de vidrinho, eu sei, mas de curto em curto alívio consigo me livrar do barulho que me atormenta depois da cerca.

          – Pensei em fugir outro dia sabia? – Eu também pensei. Quem não pensa quando chega aqui? Vontade de controlar tudo de novo, de falar, de explicar, de esclarecer… (mais…)

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Published in: on junho 21, 2009 at 3:27 pm  Deixe um comentário  
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