Dilema Jornalístico

– Um repórter mente e suborna fontes para obter informações de interesse público às quais ele não teria acesso se se identificasse como jornalista?

A missão do jornalista é informar a sociedade sobre o que está acontecendo dentro de todo o contexto que ela abrange. A partir dessa visão, devemos analisar que tipo de mentira seria empregada numa coleta de dados sobre um caso, eleito como de “interesse público”. Sabe-se que muitas fontes, ao saberem da profissão do envolvido, provavelmente teriam receio de passar informações mais esclarecedoras ou até mesmo comprometedoras. Nesse caso, a mentira pode sim acontecer, contanto que mais na frente não vá por em risco a fonte que lhe cedeu essas informações.

Já o suborno fica fora de questão, a partir do momento em que se escolheu essa profissão para cumprir e relatar fatos verídicos e de forma ética. O acesso a determinadas informações pode se tornar complicado em meio a uma investigação de dados, mas em nenhum momento o suborno pode aparecer como solução para obter qualquer informação privilegiada que for. Cabe ao jornalista uma busca incessante de versões, documentos e relatos, para que determinado caso venha à tona para a comunidade e a sociedade, que após a cobertura e análise concreta, julgará o seu grau de seriedade.

Foto: reprodução/internet

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– O jornalista deve publicar uma reportagem mesmo sabendo que ela pode prejudicar as pessoas?

No posto de relator de acontecimentos, sempre haverá partes envolvidas que serão – ou se sentirão – prejudicadas. Em um caso onde duas ou mais versões são apuradas, a análise a fundo do ocorrido levará a um veredicto que ficará entre uma dessas versões. A partir desse ponto de vista, caberá ao repórter analisar e balancear a forma que certas pessoas poderão ser prejudicadas. E assim julgar como a reportagem deve ser publicada, colocando-se na situação do possível prejudicado, e talvez diminuindo o impacto que poderia causar na vida de alguns desses envolvidos.

Na maioria dos casos, deve-se publicar a matéria, já que (como foi dito no início) possivelmente sempre haverá uma parte prejudicada. O jornalista não deve se inibir ou ficar receoso diante da reação das “tais” pessoas prejudicadas, mas a certeza de que a matéria foi baseada em argumentos e dados verdadeiros, que mostram o fato verídico de um determinado acontecimento mostrado para a sociedade.

A certeza passada através da conclusão de um trabalho bem feito e com ética trará ao repórter o alívio de saber que certas pessoas que se sentiram prejudicadas com a matéria, sentiram-se daquele jeito por uma questão pessoal. O jornalista está livre, conscientemente, dessa possível acusação. A partir do momento em que o profissional se compromete com a verdade e com a apuração de dados daquele caso, está isento de qualquer auto-recriminação. Sabe que está recorrendo à verdade e transmitindo-a ao público, cumprindo o seu papel de jornalista.

 

PS: Questões levantadas em sala de aula, na cadeira de Criatividade e Inovação.

Published in: on maio 25, 2009 at 12:54 am  Deixe um comentário  
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