Manual Narrativo: Dicas e Conceitos

             A arte de escrever bem e de construir uma boa história são ferramentas que necessitam além de dedicação, talento. O livro A Jornada do Escritor traz justamente a proposta de um bom modelo para uma narração bem sucedida. Dividido em três partes, a obra mostra por meio de personagens e etapas o esqueleto básico de um roteiro.

Foto: reprodução/internet

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            A publicação é o resultado de uma vasta pesquisa entre filmes, que permitiu a um fiel leitor durante a adolescência se profissionalizar estudando roteiros de Hollywood. Com forte influência do escritor Joseph Campbell, o autor, Christopher Vogler, afirma logo no começo que sua obra se mostra de maneira clara e necessária àqueles que lidam com a escrita em qualquer área. Apesar da abrangência que o guia percorre, segundo o autor, fica nítido ao longo da leitura o quanto a obra é referencial à sétima arte. (mais…)

Do Lado de Dentro

          

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   O mundo da música, composto por todo o seu efeito e magia, se torna cada vez mais impactante e audacioso ao longo do tempo. Exatamente como aconteceu com a música tradicional, o Jazz nascido nos Estados Unidos da América se tornou elemento modificador e assim construtor de belas estórias sobre paixão e ritmo.

            O som feito a partir de misturas e combinações de instrumentos foi uma das grandes características da música jazzista. Narrando a trajetória de alguns dos grandes nomes do jazz, BIRD traz às telas a sensação de leveza e vida que acompanham esse ritmo. Produzido e dirigido por Clint Eastwood, o filme conta a vida de Charlie Parker, saxofonista renomado e influenciador do jazz atual, de forma tão próxima que durante todo minuto nos sentimos pertencendo ao globo musical dos anos 40. A fase do Bebop traz, além da delicadeza presente nas batidas fortes, o contato intenso e sensual que recria na música todas as sensações puras do ser humano: amor, medo, sonho, vida, desejo e conhecimento. É nesse caminho de genialidade envolvente que Charlie “Yardbird” cresce e explora-se durante o longa.           

              Vivendo uma relação matrimonial decadente e abalado profundamente pela perda de uma filha, o músico, encarnado no filme pelo ator Forest Whitaker, mostra o quão difícil é sobreviver da música e da paixão que por ela é provocada. Mesmo em sua época de ouro, o jazz já tinha seu grupo destacado, tornando ainda mais difícil a adoção e a adoração de ritmos tão qual misturados em ambientes diferenciados. Em uma época de mudanças contínuas e quebras de paradigmas na veia artística americana, o jazz conseguiu aos poucos conquistar seu espaço em casas noturnas, quebrando, assim, questões tradicionalistas e colocando em cena o grande cenário financeiro americano, Nova York.

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Published in: on junho 21, 2009 at 3:37 pm  Deixe um comentário  
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A Vida, os questionamentos e as paixões

             Entre divagações, conflitos e descobertas, a juventude se mostra presente sempre de forma desafiadora. Passeando entre gostos e ideais, três meninas aprendem de forma intensa e poética o real dilema da vida: sua existência. Ana Clara, Lia e Lorena vivem de maneira pessoal e envolvente dias a fio, em um simplório pensionato guiado por freiras. Dividindo experiências e compartilhando suas consciências com o leitor, as três se tornam transparentes e encantadoras ao longo de uma estória que toca a fundo os principais desejos, medos e ambições do ser humano.

            Portando uma linguagem extrema e corrida, o romance jorra uma quantidade imensurável de pensamentos internos que chegam de forma sensorial ao receptor do livro. Quase uma exaustão mental, a falta de pausas e carência de vírgulas retratam a obra de forma realista e impactante ao outro lado da página. A personalidade de cada uma das protagonistas é traçada crescentemente de maneira expositiva, tornando claros e coerentes os anseios e os sonhos mais almejados por cada uma delas. Entre o vai-e-vem de narrações com as personagens e o narrador observador, o fluxo de consciência torna ainda mais genial e humana toda a idéia criada na mente dessas meninas.

Foto: divulgação

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Published in: on junho 5, 2009 at 8:00 pm  Deixe um comentário  
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Sweet Memory

Foto: divulgação

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          Um cara comum, vazio, em busca de um amor eterno. Uma menina impulsiva, exagerada, em busca de uma paixão avassaladora. Esses são os perfis dos dois protagonistas de “Brilho Eterno – Uma Mente sem Lembranças”. Entre os desejos espontâneos e as decisões bem pensadas, os personagens da obra de Charlie Kaufman, mostram de jeito inusitado o quão difícil é a relação entre dois seres humanos. A rotina, os diferentes gostos, as personalidades, as atitudes, e os projetos de vida são os pontos analisados e exuberantemente encenados no longa. Os efeitos especiais se tornam ao longo do filme, obras de arte criadas de forma sutil e espontânea, que transformam a obra em uma diferenciada história de amor e existência.

          Quantos amores você já teve? Quantos você reencontrou? Quantos você viveria novamente? São essas perguntas que são levantadas, e de maneira realista cada um pesa seus prós e contras, fazendo você desligar o DVD, confirmando que nossa trajetória não é aquele conto de fadas encenado em tantos “romances brigadeiro” como estamos acostumados a ver.

          Jim Carrey se apresenta diferente do usual. Intérprete de um dramático cara de 30 e poucos anos, o ator tão conhecido por suas comédias hollywoodianas e seus papéis padronizados, se mostra um ator de diferentes faces nesse filme. Ao lado de Kate Winslet, ambos criam a química perfeita para um casal tão exótico e tão comum nos dias de hoje. Diferentes dos papéis já apresentados por eles, a dupla dá o tom certo ao filme que passa longe de ser mais um blockbuster nas telas. O longa passa sua mensagem e deixa sempre o gostinho da dúvida: “Eu estou exigindo demais?”. Vale a pena!

 

Título Original: Eternal Sunshine of the Spotless Mind

Gênero: Drama

Duração: 108 minutos

Classificação Etária: 14 anos

Diretor: Michel Gondry

Classificação: ★★★

Obrigado por Argumentar!

Filme americano ensina polemicamente sobre a arte de argumentar: você nunca está errado, basta uma boa teoria.

     Câncer de pulmão, câncer de laringe, esôfago e muitos outros estragos. O cigarro, já tão famoso e admirado nas telas de cinema nos anos 60, e que hoje é considerado a causa fatal de muitas doenças, é o tema principal dessa disfarçada comédia americana. O tema é polêmico, e a maioria das pessoas se assusta logo com a escancarada apologia do título: “Obrigado por Fumar”. O longa traz diferentes lições de moral e comportamento através de seu protagonista, o já conhecido pelo seu tom cômico, Aaaron Eckhart. Apesar de o tema ser tratado quase como um humor negro, inocentando e achando normal os diversos danos do tabaco, o filme traz em sua veia uma mensagem de impor pontos de vista. Tendo como obrigação a defesa e a persuasão do consumo de cigarros, o ator principal passa longos minutos do filme usando de um ponto-chave bastante interessante e promissor: uma boa argumentação. Em várias cenas com o filho, o personagem explica e ensina as vantagens de discutir diferentes opiniões, certas ou não, baseadas em um bom discurso. Fica claro para o menino a repercussão que uma boa defesa de seu ponto de vista lhe trará em qualquer área da vida, inclusive em trabalhos escolares.

            O filme além de trazer boas dicas de batalha verbal, traz também as conseqüências de defesas e imposições a partir de um conceito errado, como o enfático no filme. Mostra através de uma análise moral, que mesmo com uma boa argumentação e com a vitória de um ponto de vista, existirá sempre o pêndulo do certo e errado dentro do ser humano. Filme muito interessante, de tom levemente polêmico, e que vale a pena ser assistido por fumantes, mas principalmente por quem é contra o fumo. 

Foto: Divulgação

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Título Original: Thank You for Smoking
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 92 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2006

Direção: Jason Reitman

Avaliação: ★★★

REPORTAGEM, FICÇÃO E LIBERDADE

Foto: Divulgação

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Apesar das várias definições e conceitos básicos que envolvem a atividade jornalista, o ponto principal, é sim, a análise de dados e comportamentos reais. Mostrando o dia-a-dia e as dificuldades de criação em uma redação, O Preço de uma Verdade é baseado na história real de Stephen Glass, um repórter talentoso e criativo, que acabou relacionando o modo de produção jornalístico com estórias não-factuais. O filme retrata o dilema constante – da busca pelo novo, do não relatado e de, algo que agrade ao público – de um profissional em uma grande revista, e traz a tona, além da responsabilidade e da falta de compromisso com a verdade, o meio “faz de conta” repleto de elogios, frases feitas e artifícios necessários para se manter dentro da roda aclamada dos jornalistas.

 

O protagonista, interpretado no filme por Hayden Christensen, recentemente visto em cena no bem-feito Jumper, mostra de forma crescente os conflitos psicológicos e familiares que o personagem vive ao longo do filme. Questionado e analisado de forma intensa durante a história, Glass se depara com uma investigação a respeito de relatos falsos, criados a partir de sua própria consciência, retratando assim, a ética jornalística de forma coerente e objetiva, que é erroneamente empregada pelo seu personagem ao longo de todo o filme. A obra de Billy Ray, que contribui também com o roteiro ao lado de H. G. Bissinger, presenteia o público com a presença dos atores Peter Sarsgaard e Chloe Sevigny, que envolvem a trama brilhantemente do começo ao fim. Interpretando, respectivamente, o editor da revista e uma jornalista coadjuvante, ambos trazem uma entonação perfeita aos personagens do drama. 

O caso que deu origem ao filme teve grandes repercussões durante os anos 90 nos Estados Unidos e chocou o mundo do jornalismo, levantando investigações sobre diversas matérias publicadas em renomadas revistas, como foi o caso da The New Republic, uma das redações para qual Stephen Glass escrevia. Desmascarou jornalistas que, assim como ele, em vez de relatarem fatos, criavam ficção para próprio prestígio profissional.

 

Título Original: Shattered Glass
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 103 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2003

Direção: Billy Ray