Liberdade Jornalística: Ferramenta ou Excesso?

           

Foto: reprodução/internet

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             O caminho percorrido por ética e moral abrange muito mais teorias e explicações que apenas um código redigido. A questão levantada em diversos ofícios envolve diariamente a profissão jornalística. Dilemas envolvendo coleta de dados, identificação pessoal, furto de documentos e comprometimento com a verdade são constantemente levantados por profissionais envolvidos na área. Três acontecimentos de repercussão notável na imprensa trouxeram à tona análises de temas envolvendo a ética no jornalismo. O Caso de Orson Welles, de um programa apresentado na emissora americana ABC, e do repórter Stephen Glass possuem um pouco mais do que apenas ousadia e criatividade em suas divulgações.

            Em 1938, uma transmissão de rádio entrou para a história com a narração do então ator Orson Welles. O jovem de 23 anos simulou um ataque alienígena no estado de Nova York, com encenações baseadas no romance ficcional A Guerra dos Mundos, de H. G . Wells. O programa, considerado o primeiro caso de histeria em massa causado por um meio de comunicação, revoltou parte da população americana, por ter o objetivo de realmente assustar as pessoas e por usar métodos informativos facetos, levando a crer num real ataque. A emissão radiofônica choca primeiramente por não agir com a verdade em relação ao seu público, fator imprescindível na atividade jornalística. Artimanhas e um grupo de teatro foram usados de modo irresponsável e exagerados, não agindo assim, de acordo moral e respeitável com o meio de comunicação em que atuavam. A repercussão de um acontecimento como esse deve ser analisada e prevista de forma madura, com soluções ponderadas a serem tomadas. A relação entre matérias em meios de comunicação e responsabilidade merece muito mais cuidado e importância, que apenas mais uma “brincadeira” de Hallowen.

            Outro caso polêmico aconteceu em 1992, quando uma reportagem feita pela emissora ABC mostrou repórteres se passando por funcionários de um supermercado americano. Com câmeras ocultas, a equipe do Prime Time Live foi em busca de comprovações sobre uma denuncia feita a partir de alterações e vendas de produtos com datas de validade vencidas. O estabelecimento Food Liond acabou processando a emissora de TV por fraude, e o tribunal do estado da Carolina do Norte condenou o uso de câmeras ou áudios e o uso de disfarces por repórteres. A indenização resultou na pena de US$ 315 mil para os jornalistas envolvidos no caso. A técnica de “câmera escondida” ainda hoje é usada por algumas emissoras no Brasil, criando assim discussões diversificadas a respeito do assunto. O uso de métodos escondidos gera um sentimento de humilhação e traição por parte dos envolvidos/acusados. Em um caso como o da denuncia sobre alimentos que afetam a saúde pública, é dever do jornalista divulgar esse tipo de absurdo. Dessa forma, é válido o uso de tecnologias que permitam a comprovação em verdadeiros casos onde há fraude, mostrando à sociedade as violações e crimes cometidos contra ela.

A história de um talentoso jornalista, que virou filme em 2003, choca-se também com a questão da apuração de dados e veracidade com que lida um repórter. Stephen Glass foi repreendido após uma série de matérias publicadas, consideradas bem elaboradas e inovadoras, que se tornaram alvo de investigação por inverosimilhança. O jornalista, que escrevia na época para a The New Republic Maganize, foi processado e acusado de fraude na publicação de 27 reportagens escritas por ele. A criatividade e talento empregados por Glass em suas matérias, coerentemente, não reagiram bem junto a uma mistura de ficção. Em uma profissão onde se tem um compromisso com a sociedade, deve-se o relato de fatos verdadeiros para com ela, a criação de matérias baseadas em dados e fontes criadas a partir de uma consciência própria, jamais pode ser aceita como atividade de um repórter. Além da falta de ética, Stephen desrespeitou a revista e seu público com relatos fantasiosos. A ambição por escrever bem, nunca deverá ultrapassar limites de respeito, conduta ética e profissionalismo, em qualquer área que seja, principalmente no jornalismo.

            O uso de identidade falsa para a obtenção de notícias é outra prática que envolve princípios morais. É comum com a identificação do profissional como jornalista, o receio do público em falar a um veículo de comunicação. Parte daí a necessidade da mentira e do disfarce. Ambos devem ser evitados ao máximo. Deve-ser sempre levar em consideração a responsabilidade que determinas atitudes trarão ao repórter e aos envolvidos. Por fim, cabe aos profissionais especializados em jornalismo, agir de forma respeitosa, verdadeira e coerente, de acordo com seu veículo de trabalho, seu público e seus princípios.

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